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Todas as vozes: manifestações do 8 de março demonstram a força do feminismo popular nas ruas

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Atos expressaram a agenda das mulheres para reconstruir o Brasil: democracia, trabalho, aborto legal e combate à fome e ao fascismo, com punição para racistas e golpistas.

“Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem constrói o feminismo muda o país inteiro!”. Com essa e outras palavras de ordem, com músicas e batucadas, as feministas da Marcha Mundial das Mulheres estiveram nas ruas de todo o Brasil nesse 8 de março de 2023. Em mais de 20 cidades de 15 estados do país, as militantes participaram dos atos organizados colocando a agenda do feminismo popular para a reconstrução do Brasil.

Nos últimos anos, as mulheres foram protagonistas da luta pela democracia e pela transformação do país. Nalu Faria, militante da MMM em São Paulo, defende em seu artigo para a Coluna Sempreviva no Brasil de Fato que as mulheres estão “fortalecidas para recuperar a democracia, que sempre articulamos com a luta para derrotar o neoliberalismo e construir um projeto de país popular e soberano”.

Essa visão se relaciona com a luta das mulheres de maneira global. Na declaração internacional da MMM para esse 8 de março, defendemos que “as mulheres e os povos do mundo nunca deixaram de lutar, mesmo perante os projetos de assassinato e criminalização dos movimentos sociais. Neste contexto, destacamos as nossas resistências, alternativas e propostas para transformar o mundo, colocando a vida no centro”.

 

8 de março nas ruas

A jornada de lutas do 8 de março teve início logo cedo, às oito da manhã, em Aracaju, Sergipe, onde as integrantes da MMM participaram do ato unificado com o mote: “Pela vida de todas as mulheres, nenhum direito a menos. Sem anistia para golpista!”.

Nesse mesmo horário, as companheiras de Belém, no Pará, já estavam no Largo do Redondo para defender a democracia, a vida das mulheres originárias da Amazônia e seus territórios.

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Em consonância, a defesa da vida das mulheres com democracia, bem viver e contra o fascismo esteve presente nas ruas de Natal e Mossoró, no Rio Grande do Norte, em Caruaru, Garanhuns e Recife, em Pernambuco, em Fortaleza, no Ceará, em São Luís, no Maranhão, e em Maceió, Alagoas, no Nordeste. “Nem cá mulesta um Brasil sem democracia e sem renda básica!”, cantaram com fôlego as companheiras de Caruaru em um cortejo realizado. No Maranhão, as mulheres finalizaram as atividades do dia à noite, com um festival cultural em frente ao Centro de Referência da Economia Solidária.

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No Norte, estivemos também nas ruas de Manaus, no Amazonas, e em Palmas, no Tocantins, visibilizando a luta das mulheres do Cerrado e da Amazônia contra a violência e contra a fome com ato de rua, panfletagem, feira das mulheres sem terra e batucada da MMM.

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Do outro lado do país, no Sul, fizemos ouvir nossas vozes e nossas pautas nas cidades de Curitiba e Guarapuava, no Paraná, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e em Florianópolis, em Santa Catarina. Nessa última cidade, a manifestação prestou homenagem à memória de Antonieta de Barros, professora, jornalista e primeira deputada negra eleita do Brasil, que dedicou sua vida à luta por direitos da população negra e feminina.

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No Sudeste, já no final da tarde, estivemos nas ruas de Campinas e de São Paulo, de Belo Horizonte e Juiz de Fora, em Minas Gerais, e no Rio de Janeiro, em defesa da democracia, pela punição de racistas e golpistas, por direitos trabalhistas, legalização do aborto e fim da fome. Com paus, latas e tambores, as mulheres ocuparam as ruas dessas cidades e fizeram ecoar suas palavras de ordem contra o patriarcado e pelo direito ao aborto.

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E no Centro-oeste, em Dourados, no Mato Grosso do Sul, saímos às ruas para dizer que somos livres, estamos vivas e em resistência, lutando por uma cidade para as mulheres. Já em Brasília, na capital do país, Ticiana Studart, da MMM no Ceará estava presente no evento realizado pelo governo federal para anunciar seu compromisso com as políticas para as mulheres. Em vídeo, Ticiana explica que esse “é um momento onde a gente inicia um processo de negociação com o governo porque nós vamos estar permanentemente ocupando as ruas”. Nesse evento, representadas pela companheira Mazé Morais, da CONTAG, apresentamos a Carta do Comitê Popular das Mulheres Feministas Brasileiras ao presidente Lula com reivindicações das mulheres e propostas para reconstrução do Brasil.

Seguiremos permanentemente nas ruas resistindo e lutando pelo mundo que queremos!  Nossa agenda de luta segue agora rumo à Marcha das Margaridas, que será realizada em agosto com o lema “Pela reconstrução do Brasil e pelo bem viver”, a Marcha das Mulheres Indígenas que acontecerá em setembro, a Marcha das Mulheres Negras, e o Encontro Internacional da MMM, que será realizado no segundo semestre, com participação de delegadas de todas as coordenações nacionais do movimento. Nossa luta é permanente contra o patriarcado, o capitalismo, o racismo, o imperialismo e a LGBTfobia. No 8 de março e em todo o ano, nós seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

Resistimos para viver, marchamos para transformar!

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